Infecção hospitalar: por que é difícil combater o problema de saúde pública?

As infecções hospitalares são aquelas adquiridas enquanto os pacientes recebem cuidados de saúde para outra condição. O problema de saúde pública pode ocorrer em qualquer estabelecimento de saúde, incluindo hospitais, centros cirúrgicos ambulatoriais e instalações de cuidados de longo prazo. Entre as causas mais comuns estão bactérias, fungos e vírus.

A falta de serviços básicos de higiene, como água e sabão ou álcool em gel, contribui para aumentar os riscos de infecções hospitalares. A escassez afeta metade das unidades de saúde em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para chamar a atenção para a importância das ações de prevenção e de controle, o dia 15 de maio foi definido como o Dia Nacional do Controle das Infecções Hospitalares. Especialistas explicam quais são os pontos de maior risco de infecção em uma unidade de saúde, os principais desafios no combate ao problema e como é possível diminuir a incidência.

“A infecção hospitalar é toda infecção que ocorre 48 horas após a admissão do paciente e pode ter início durante a internação ou até mesmo após a alta. O termo infecção hospitalar não é mais utilizado, sendo o mais correto o conceito de infecções relacionadas à assistência à saúde, ou IRAS, considerando não apenas os ambientes hospitalares, mas também ambientes de assistência a saúde, como clínicas de diálise, hospital dia e unidades oncológicas”, explica a médica infectologista Carla Kobayashi, do Hospital Sírio-Libanês.

Maior risco

Embora as infecções em unidades de saúde possam acontecer em diversos ambientes, alguns deles estão mais suscetíveis, como explica o pesquisador Richard Johnston, responsável técnico da OMS.

“Alguns dos locais de maior risco estão em locais intensivos, como uma sala de cirurgias. Mas mesmo em outros locais, é possível que os pacientes contraiam uma infecção. Especialmente se os profissionais de saúde estiverem indo e voltando de ambientes de maior risco para locais de menor risco, porque eles podem de fato transportar bactérias e vírus em suas mãos”, afirma Johnston em entrevista ao podcast “Science in 5”, da OMS.

O médico infectologista Álvaro Furtado, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), afirma que procedimentos realizados durante a internação hospitalar também estão associados às infecções oportunistas.

“Um paciente internado em hospital, seja em unidades de terapia intensiva ou de enfermaria, no uso de um acesso na veia, intubação ou cateter, pode ser infectado pelos patógenos do hospital, como vírus e bactérias, que podem causar doenças”, detalha.

Estimar o impacto das infecções hospitalares e da resistência microbiana na vida das pessoas é um desafio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, em países desenvolvidos, 7% dos pacientes hospitalizados em unidades de terapia intensiva (UTIs) irão adquirir pelo menos uma infecção relacionada à assistência à saúde durante o período de internação. Em países de renda baixa e média, o índice estimado sobe para 15%.

“Os principais tipos de infecção relacionada à assistência à saúde são as pneumonias, as infecções urinárias e as infecções relacionadas a dispositivos vasculares, aquelas relacionadas aos cateteres. Essas são as infecções mais comuns com algumas variações entre um país e outro, entre uma área ou outra do globo”, explica a pesquisadora Diana Ventura, do Laboratório de Bacteriologia Aplicada a Saúde Única e Resistência Antimicrobiana do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Desafios e prevenção

higiene das mãos tem sido considerada um dos pilares da prevenção e do controle de infecções nos serviços de saúde. Estudos indicam que quando os serviços de saúde e suas equipes conhecem a magnitude do problema e passam a aderir aos programas para prevenção e controle, pode ocorrer uma redução de mais de 70% de algumas infecções como, por exemplo, as infecções da corrente sanguínea.

“Uma das medidas mais importantes para a prevenção e controle de infecções é que os profissionais de saúde pratiquem a higiene adequada das mãos. E isso significa apenas limpar regularmente as mãos onde quer que estejam interagindo com os pacientes. Agora, para fazer isso, é claro, eles precisam ter acesso a bastante água e sabão. E também as compressas com álcool podem ser muito úteis porque são mais rápidas e fáceis para os funcionários usarem”, diz Johnston.

O pesquisador destaca que a higiene das mãos é importante para proteger os pacientes, cuidadores e visitantes, mas também os próprios profissionais de saúde. “Médicos, enfermeiros e outros funcionários das unidades de saúde são muito vulneráveis ​​a contrair infecções por meio de todos os contatos que têm com pessoas doentes”, diz.

O Controle de Infecção no Brasil foi regulamentado em 1983. Uma portaria do Ministério da Saúde, de 1998, exige a criação de uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) para que os hospitais coloquem em prática as ações do Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH) – um conjunto de ações com o objetivo de reduzir a incidência e gravidade das infecções nas unidades de saúde. Desde 1999, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão responsável pelas ações nacionais de prevenção e controle desse tipo de infecção.

A pesquisadora da Fiocruz destaca que a prevenção requer esforços conjuntos, incluindo profissionais da ponta, equipes de limpeza, médicos e gestores de saúde. “É um desafio muito grande combater essas infecções. É um trabalho muito árduo, que depende não só do profissional especializado”, afirma Diana. “A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar é a responsável por elaborar e implementar as medidas de controle de infecção num hospital”, completa.

Resistência

De acordo com a OMS, um em cada dez pacientes afetados morre em decorrência da infecção hospitalar. Quando se trata de pacientes infectados por microrganismos resistentes, a mortalidade é pelo menos duas a três vezes maior.

A resistência aos antimicrobianos ocorre quando bactérias, vírus, fungos e parasitas não respondem mais aos medicamentos disponíveis. Como resultado da resistência aos medicamentos, os antibióticos e outros agentes antimicrobianos tornam-se ineficazes e infecções comuns tornam-se difíceis ou impossíveis de tratar, aumentando o risco de disseminação de doenças, casos graves e mortes.

Nesse contexto, a prevenção das infecções hospitalares está diretamente relacionada com a prevenção de resistência microbiana nos serviços de saúde. O uso indiscriminado de medicamentos em práticas hospitalares tem contribuído para o aumento da resistência, como explica a pesquisadora Ana Paula Assef, da Fiocruz.

“A rotina hospitalar, por exemplo, conta com uma série de procedimentos invasivos que são portas de entrada para as bactérias – como a utilização de ventilação mecânica e de cateteres venosos. Em consequência ao aumento das infecções hospitalares associadas a esses instrumentos, o uso de antibióticos é intensificado, o que promove a seleção de bactérias resistentes nesse ambiente”, diz.

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